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Paraíso Econômico – Porto Digital e perspectivas para futuro

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Quem diria que num Estado como Pernambuco, conhecido por suas praias belíssimas com suas águas mansas, sua paz e calmaria, por sua história e principalmente pela sua cultura, iria retomar sua economia baseado na tecnologia e projetos criativos. Isso mesmo, na cidade de Recife, está localizado o Porto Digital, considerado o maior parque tecnológico em relação a faturamentos e quantidade de empresas associadas, com lucros de 1 bilhão de reais apenas em 2010.


Para quem não sabe, o Porto Digital de Recife, de um modo simplificado, é um ambiente de inovação que integra em uma mesma região instituições, empresas e universidades de seguimentos como TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) e economias criativas, como games, multimídia, design, música, animações, entre outras. Situado no bairro de Recife, foi criado em julho de 2000 e ocupa um vasto território de 149 hectares, sendo que cerca de 50 000 m² das edificações, são distribuídas especialmente para os desenvolvimentos das atividades produtivas presentes neste parque urbano.

Atualmente o Porto Digital abriga 200 empresas e serviços associados, 3 incubadoras de empresas, 2 instituições de ensino superior e mais 2 institutos de pesquisa, entre elas, o C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife). São mais de 6500 trabalhadores nesse enorme campo empresarial entre 500 empreendedores divididos entre os mais variados setores.

Com isso, o Porto Digital é um dos responsáveis diretos pelo crescimento na economia de todo o Estado no setor de TIC e economia criativa, porém o ambiente não se torna favorável ao desenvolvimento apenas pela construção de um pólo como esse, mas sim por toda a história do bairro que já vem desde os tempos do nascimento da cidade no ano de 1537, quando esta era uma das principais cidades comerciais do mundo em meados do séc XVII.

A construção de um porto direcionado para atividades agro-açucareiras e extração do Pau-Brasil, foi o grande impulso para o desenvolvimento econômico da cidade e do bairro, na primeira metade do séc XVI. Logo, houve a necessidade de que depósitos e armazéns fossem instalados nesse bairro, inclusive casas para que os trabalhadores pudessem morar perto de seus estabelecimentos, no entanto, o bairro apenas se consolidou com a invasão Holandesa em 1630.

Com um devido planejamento Holandês, muitos arquitetos, médicos, engenheiros, astrônomos e até artistas passaram a viver ali. No entanto, em 1980, o bairro de Recife teve sua grande decadência quando as atividades do Porto de Suape, substituto para o Porto de Recife especializado em combustíveis e cereais, foram iniciadas e os moradores do bairro de Recife começaram a migrar para outras regiões da cidade.

Apenas na década de 1990 é que o bairro passou a se erguer novamente, primeiro com recuperações arquitetônicas dos edifícios, para depois voltar a todo vapor com as atividades econômicas. Em 2000, o Porto Digital se instalou de vez, com os escritórios das novas empresas ocupando esses antigos armazéns de açúcar e bancos.

Funcionando como uma grande empresa, naturalmente o Porto Digital precisaria de um modo de gerenciamento para que as coisas não fugissem do controle, foi então que o Núcleo de Gestão do Porto Digital (NGPD) surgiu, com um gerenciamento de forma privada e social sem fins lucrativos.

A NGPD é credenciada pelo governo, para que as transações, atividades e atribuições funcionem de forma mais rápida, eficiente e flexível, com uma estrutura consistente de um conselho administrativo, formado por 19 membros representantes de cada empresa instaladas no parque entre os muitos setores produtivos, como universidades, prefeitura do Recife, governo do estado, entre outras.

Este conselho administrativo estabelece as regras e políticas e possui total autonomia para nomear uma diretoria adequada, que por sua vez, é constituída de um presidente, diretor de inovação e competitividade empresarial, diretor executivo, e ainda mais 41 colaboradores formada por uma equipe pós-graduada em diversas áreas como tecnologia da informação, gerenciamento de projetos, captação de recursos, entre outras.

O Porto Digital resume em todos os aspectos o que seria a economia do futuro. Baseada principalmente na economia criativa, os projetos apresentados com essa tendência são inovadores e estabelecem relação com todas as áreas, pois há uma enorme diversidade neste campo.

Formado por pequenas e médias empresas e multinacionais brasileiras, como a IBM, gestão empresarial, mobilidade urbana, games, aplicações para dispositivos móveis, inteligência artificial, banco de dados e animações são um dos tantos serviços prestados com projetos que vão desde os sociais até os sustentáveis, assim, são esperadas mais de 20.000 pessoas exercendo atividades como essa, tendo uma alta qualificação profissional em mais de 400 novos empreendimentos inovadores em 2020, e para que suas metas sejam alcançadas, o Porto Digital traçou algumas estratégias, como aumentar o Porto para que novos empreendimentos possam ser estabelecidos assim como o número setores do Estado envolvidos, expandir o porto nacionalmente e depois internacionalizá-lo, enfatizar a imagem dos produtos oferecidos, fortalecer a liderança da gestão do Porto Digital e por fim promover ações sociais e ambientais.

Em relação a estas ações sociais, o Porto Digital vem desenvolvendo projetos que conseguem unir a economia e o meio ambiente, sem prejudicar ambos os lados, pelo contrário, os dois pólos acabam se complementando entre si, como é o caso das edificações históricas do bairro que passam por uma requalificação com iniciativa financeira privada para que eles sejam aproveitados pelas novas empresas que surgem, a preparação de jovens de áreas com baixo nível de desenvolvimento em idade escolar para o mercado de trabalho com uma formação técnica qualificada e um projeto de inclusão digital também é um desses projetos existentes, além de uma campanha de conscientização a respeito dos resíduos eletrônicos e o desenvolvimento de tecnologias que visam auxiliar na sustentabilidade de cidades e acessibilidade digital com alertas aos serviços de informações digitais para deficientes auditivos e visuais por parte dos setores privados e principalmente os públicos.

Como exemplo das apostas no poder econômico do Porto Digital por parte de todo o país, o parque recebeu 2 milhões de reais em investimentos para que o Porto Mídia fosse aberto. Com Inauguração dia 12 de agosto, este núcleo especializado em criação e serviços de seis áreas diferentes, entre games, animação, cinema, música, fotografia e multimídia, ganhou novos aparelhos de som e imagens, alguns inclusive usados por estúdios como Universal e Pixar, onde qualquer empresa poderá usar os equipamentos deste prédio para seu desenvolvimento desde que se inscrevam antes, sendo que as inscrições poderão ser feitas de qualquer lugar do país.

Realmente não há dúvidas de que os planos para o Porto Digital são os mais grandiosos, ambiciosos e ousados. Não é preciso saber de muita coisa para entender que o sucesso já é garantido, basta encarar os dados passados.

Em 2005, o Porto Digital do Recife já era considerado o maior do país pela consultoria internacional AT Kearney, em 2009 ele também já era destacado por um dos dez lugares do mundo onde o futuro estava sendo criado, o PIB do Recife cresceu mais de 50% em comparação a 1990 e 2010 com forte influência do parque inovador, sendo que o Recife é uma das cidades que mais crescem no país segundo uma publicação da Revista Exame e de pesquisas do McKinsey Global Institute, além disso, o Centro de Informática da Universidade Federal possui a maior produtividade acadêmica em todo o Brasil.

O poder que o Porto Digital exerce nos vários campos econômicos é definitivamente indiscutível. Dizem que esta será a economia do futuro, porém, depois de nos deparar com resultados como esses, é quase impossível deixar de ter a certeza de que esse futuro que os especialistas tanto falam já começou há muito tempo.

Sobre a autora:

Aline

 

 

Aline (alinerodrigues@sautlink.com é estudante e apaixonada na arte de escrever e pesquisar histórias e fatos. No Grupo Sautlink é  colaboradora da área de Comunicação, Conteúdo e Mídias Digitais.

 

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